O posicionamento de determinados políticos, ao afirmar que estamos “lutando errado contra o feminicídio” sugere que a mulher deve se manter em uma posição de submissão diante do homem, é problemático por diversos motivos:
- Reforço da hierarquia de gênero: Ao defender que o homem é o protetor e a mulher deve estar por baixo, o discurso perpetua a ideia de que a mulher não pode ser sujeito de sua própria força, autonomia e resistência. Isso cristaliza a desigualdade como se fosse natural.
- Contradição com a luta contra o feminicídio: O feminicídio é resultado direto da cultura que coloca o homem como detentor do poder e a mulher como subordinada. Reforçar essa lógica é caminhar na direção contrária da prevenção.
- Negação da autonomia feminina: O feminismo luta para que mulheres tenham voz, força e capacidade de contrapor violências e opressões. Ao negar essa possibilidade, o discurso deslegitima a emancipação feminina.
- Romantização da proteção masculina: A ideia de que o homem protege a mulher mascara a realidade de que, muitas vezes, o agressor é justamente quem deveria “proteger”. Essa romantização encobre a violência doméstica e naturaliza relações de poder abusivas.
Perspectiva Feminista
O feminismo não busca inverter papéis, mas desconstruir a lógica de dominação. A mulher não precisa estar “por baixo” para ser respeitada; precisa estar em pé de igualdade. A luta contra o feminicídio exige políticas públicas que fortaleçam a autonomia feminina, ampliem redes de proteção e responsabilizem os agressores — não discursos que reforçam submissão.
O impacto social
- Discursos como esse fragilizam avanços conquistados em décadas de luta por direitos das mulheres.
- Naturalizam a violência ao sugerir que a mulher não deve se contrapor, quando justamente o enfrentamento é essencial para romper ciclos abusivos.
- Deslegitimam o feminismo, que é a principal força social organizada contra o feminicídio e pela igualdade de gênero.
Em resumo, ao antagonizar a força feminina e defender a submissão como caminho, a deputada reproduz a mesma lógica que sustenta o feminicídio. O combate à violência contra a mulher não pode se apoiar em discursos que reforçam a desigualdade, mas sim em práticas que garantam autonomia, dignidade e poder de escolha às mulheres.


